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Spending time with Zozimo Bulbul at the cafe outside the Odeon Cinema in the centre of Rio de Janeiro, is a bit like taking part in a Brazilian edition of This is Your Life. Friends old and new: musicians, photographers, actors, journalists, film directors and choreographers, interrupt our conversation to greet him. They tap his shoulder, embrace him, laugh, and when Zozimo draws their attention to me, I realise that the distinguished old man that I’m sitting with, is introducing me to a Who’s Who of creative talent in Rio.
Zozimo Bulbul is a black Brazilian actor and film director. He is also the curator and inspiration behind the Encontro de Cinema Negro Brasil Africa & Caribe, a meeting of black film makers from Brazil, Africa and the Caribbean. I was lucky enough to be invited to the 5th of these annual meetings, which are organised by workers and volunteers from the Centro Afro Carioca de Cinema. The event is as much a sharing of ideas as it is a festival that celebrates short films, features and documentaries made in Africa and its Diaspora.
What’s unusual about the gathering is its quirky intimacy. With me to enjoy the tremendous hospitality of our hosts were Rigoberto Lopez, a Cuban director and President of the Travelling Caribbean Film Showcase, Mansour Sora Wade from Senegal, Philip Judith Gozlin from Guadaloupe, Suzanne Sanou Kouroma, a former editor now head of the film market at FESPACO and Mamadou Diop, a young Senegalese director.
Our recurring refrain throughout our seven days of screenings, seminars and conversations in Rio, was: ‘Where is Mamadou?’ Mamadou missed the bus to the Sunday market past Impanena beach. We left him stranded at the down town Odeon Cinema and went to a restaurant without him. Our young Senegalese colleague was often absent because thanks to friends made on Facebook and his good command of Portuguese, he was usually hanging out with newfound pals, enjoying Rio.
On this, my first visit to Brazil, I was struck by the incredible wealth and dynamism of the city. Every other building is corseted with scaffolding as the country prepares for the World Cup in 2014. Despite the frenetic building work and restoration of classical 19th century edifices, Rio feels like an enchanted city inhabited by tactile, friendly citizens. So much so, that taking in the view from waterfront restaurants at dusk is like stepping into a gilded world of glamour. As the nightscape of high-rise buildings glitters seductively, it’s easy to believe that all is well beneath the luminous veneer of this powerhouse economy of South America.
Every tourist knows that it’s impossible to come to grips with a new country in seven days. And in a society as large and racially diverse as Brazil, to attempt to make sense of what’s going on beneath the surface with a mixture of school girl French and broken Spanish, is deeply perplexing.
Janaina Olivereria, a young Brazilian director and rapper, was one of a group of Brazilian women who helped me to see another side of Rio. Her short film, Virus Africana, was screened at the festival to tumultuous applause from her friends. The film describes her infectious joy at her first visit to Africa as part of a Brazilian delegation to Fespaco in Burkino Faso earlier this year. Janaina is a member of a women’s NGO, Estimativa, that works with film in Rio’s schools and favella shanty-towns, to improve the self-image of black children. Despite the image projected to the world, Brazil is 52% black. ‘Race is invisible here,’ Janaina explained. ‘It’s everywhere, but no one wants to talk openly about it.’
The women of Estimativa have put race firmly on the agenda by hosting events that highlight black hair politics. Indeed, after showing me slickly produced magazine programmes on a computer, programmes which stream on line, the sisters from Estimativa invited me to a runway event that they’d organised at Morro do Formiga, a favella in the hills of Rio. ‘Are you happy to use public transport?’ Janaina asked me.
‘But of course!’ I replied, half wondering if the sort of public transport she was suggesting was similar to Ghanaian tro-tros, which I haven’t used in years.
In fact, to get to our destination we travelled on a spanking clean, new metro system that makes the London underground and Paris metro seem antiquated. A long journey by metro, followed by a short taxi ride to the edge of the favella - ‘Taxis often don’t want to bring you here,’ Janaiana warned - ended in a steep climb up a hill in a Volkswagen van. Journey’s end was a community hall full of excited, yelling children. Many of them had their hair braided in brightly coloured wool. Before I arrived they’d paraded up and down the runway displaying their new hairstyles. They started screaming and jumping up and down as I was introduced to them as a guest of honour from Africa. A small girl scrambled on to the stage and gazed up at me. Overwhelmed, I managed to say a few words about how deeply honoured I was to be with them and how much I was enjoying Rio. Nina, another member of Estimativa valiantly braved the screech of the microphone to translate what I said into Portuguese. The children continued screaming and jumping.
Estimativa is the brain child of Brazilian actress Jana Guinond. Psychologically deflated and extremely frustrated at not getting the sort of roles she wanted, Jana decided that the only way to help herself and other black women made invisible in mainstream Brazilian media, was to create an alternative. With the help of other black media professionals, graphic designers, directors, camera people and editors, Estimativa has so far made three magazine programmes aimed at black women, which are available on line. Their latest venture has received over 4,000 hits. In tandem with creating a presence for black Brazilian women on the internet, Estimativa works with adolescents in schools. The organisation aims to improve self-esteem by teaching school children how to make short films at the same time as raising awareness of the beauty and versatility of black hair in its natural state.
Like Zozimo Bulbul, who started making films after he grew tired of being cast perpetually as a slave, black women artists in Brazil are cementing relationships with the continent of Africa as a means of reaffirming their African identities. In doing so, they are prising open a valuable space for themselves in their country’s changing consciousness.
Yaba Badoe
December 2011
The 5th Encontro de Cinema Negro Brasil Africa and Caribe took place in Rio de Janeiro from 24th November – 1st December 2011
Entrevista realizada pela jornalista e colaboradora da Estimativa: Flavia Vieira
[Flávia]Livro, exposição, web programa... Nina que horas você dorme? Como é coordenar tantas atividades ao mesmo tempo?
[Nina]
Dormir é um verbo que há tempos gostaria de resgatar para o meu vocabuário. Felizmente ou infelizmente a cabeça não pára e é difícil não responder ao que o coração pede, ao que a cabeça cria e ao que o corpo quer.
[Flávia]
Você está participando de uma coletânea de poesias, de onde vem essa habilidade para combinar palavras?
[Nina]
Negrafias volume 3 foi mais um presente do ano de 2011 o qual tenho a honra de fazer parte e o elo de ligação e criação desta antologia é a ancestralidade de nós afrodescendentes. Não vejo como habilidade com as palavras e sim exercício de escutar sentimentos que vem do outro ou da outra e que também vem de dentro. Mas temos que adicionar a isso as práticas da leitura e da escuta, sem elas não tem complemento de aprendizado.
[Flávia]
Você nasceu em São Gonçalo, como foi a sua infância e adolescência?
[Nina]
Nascida e criada no Jardim Catarina, maior favela plana da América Latina (pelo menos era durante a minha infância). Adoro afirmar minha origem e narrar minhas histórias de meninice, mas resumo essa vivência em um poema que retrata a meNina que fui e que ainda habita em mim:
[Flávia]
Em que momento você fez a opção pela militância ou de que forma ela surgiu na sua vida?
[Nina]
A militância para nós mulheres negras não é uma opção e sim uma constante em nossa caminhada. Quando você faz algo bom ou ruim você é lembrada como a mulher negra que fez algo bom ou ruim e não como apenas uma mulher que fez aquilo ou uma pessoa que fez algo. A partir do momento em que me reconheci no espelho mas não o meu reflexo e sim o espelho que há no outro indivíduo, em que te apontam e te descrevem da forma que a sociedade pontua, o espelho social gritou na tentativa de limitar o meu Ser na segregação de minha raça, nesse momento atemporal o meu ciclo de luta como muher negra africana nascida em diáspora retoma o seu ritmo, digo ciclo pois não somos inicio e sim continuidade de lutas já travadas e vidas já vividas. Sempre fui a pretinha que tirava boas notas, que se destacava nos esportes, na dança, na literatura mas que todos tinham uma estranheza quase pena por achar que algo estava errado em mim, enfim, uma sobrecarga de ATIVidades e atitudes na tentativa de aceitação mas que não eram suficientes para espantar os olhares famintos dos segregadores e da sociedade excludente que desde cedo insistiam na tentativa de restringir meus passos e minhas ações. Não preciso dizer que luto e (re)luto contra isso a todo instante e não será diferente até o fim de meus dias. O meu sonho é que as realizações no agora se perpetuem e sejam molas propulsoras para as mudanças no futuro.[Flávia]
Como surgiu a Estimativa?[Nina]
Última atualização em Ter, 06 de Março de 2012 02:56

Era uma manhã de quinta-feira quando fui ao escritório da Estimativa, no Edifício Avenida Central, no Centro do Rio de Janeiro, encontrar Jana Guinond, para esta entrevista. Como ela mesma definiu estava no meio de um furação: câmeras, cabos, computadores para todos os lados, telefones tocando. De repente ela trocou de cadeira, o ambiente se aquietou e nós começamos essa conversa de meia hora, muito reflexiva, o que ela atribuiu ao seu aniversário de 40 anos dali a alguns dias. Ao longo do encontro Jana abriu o seu coração e o da Estimativa, é claro?
São todas mulheres poderosas, porém invisíveis para a sociedade, para o sistema. Essas guerreiras já existem, elas estão ai se a gente pegar a história da mulher negra é um somatório de lutas, de resistência cada uma da sua maneira, da sua forma. E a Estimativa se propõe a ser apenas um instrumento para lançar luz na força dessas mulheres, que em geral, são ignoradas.
A Estimativa é a continuidade de uma história, a gente continua a história de várias outras pessoas que deram seu sangue e suor, então para seguir em frente precisamos lembrar a todo tempo que somos continuidade. Eu não posso dizer para onde eu vou sem dizer de onde eu vim. Os nossos projetos vêm exigir efetivamente políticas públicas e envolvem uma pitadinha de amor que é fundamental para qualquer ser humano.
A instituição preza, antes de qualquer outro valor, a família, independente do formato. A valorização da sabedoria dos mais velhos faz parte da tradição africana. Se a gente fala de um resgate histórico a presença do mais velho é fundamental e ter a criança por perto é de suma importância. Quando eu me tornei mãe eu comecei a olhar o mundo de outra maneira e isso se refletiu na gestão da Estimativa.
A Estimativa é o que é e a Jana só é o que é por causa de um monte de mulheres que fazem parte dessa história, e ai a gente tem Nina Silva, Neide Diniz, Vanda Ferreira, Giselle Moraes, Refém, Juliana Baraúna, nossas tranceiras e várias outras pessoas que direta e indiretamente participam do projeto. Eu confesso que não consigo pensar em uma coisa muito solitária. Ao longo da minha trajetória profissional eu percebi que conforme a gente vai avançando, descobre que está sozinha nessa profissão. Quando a gente olha para um lado, olha para o outro e descobre “eu sou a única negra”, por um lado que legal consegui, parabéns. Mas, por outro lado, não quero ficar só, para alcançar esse objetivo o meu projeto tem de ser coletivo. A Estimativa é a reunião de muitas mulheres poderosas, dos mais diferentes setores, que se juntam param contribuir para um mundo melhor, e eu preciso dessas mulheres perto de mim, tanto quanto eu preciso da minha família.
Durante um tempo eu tenho trabalhado na área artística e, em vários momentos, aconteceram situações que me incomodaram, por exemplo, muitos profissionais não sabem lidar com nossos cabelos. E, muitas vezes, esses profissionais ao invés de admitirem que precisavam se reciclar, direcionavam essa culpa para o meu cabelo “Ah! Como é que penteia isso?”. O fato de um profissional não saber pentear o meu cabelo não é problema meu, significa que ele não está antenado. Os negros estão entrando para o mercado, os profissionais têm de aprender a lidar com o cabelo crespo, com a pele negra, nossos tons são diferentes. Isso sempre me inquietou e o Reconhecer (talk show mensal na internet produzido pela Estimativa) é simplesmente pra dizer “Olha só nós podemos.”, nós podemos ficar na frente das câmeras sim, nós podemos produzir, dirigir. Nós podemos tudo. A gente sabe que alguns grupos já tentaram fazer isso, que é desafiador. O reconhecer é um ato de coragem, um ato de amor.
Embora o mundo ainda não esteja do jeito que eu quero, eu acho que temos mais a comemorar do que a lamentar. Eu estou com uma esperança enorme dentro de mim de que as coisas vão e precisam melhorar.
Última atualização em Ter, 19 de Julho de 2011 23:39
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